. Café Filosófico
Em seu 5º aniversário, o evento discute a Realidade Virtual e suas influências na sociedade

No dia 8 de novembro, o Café Filosófico comemorou seu 5º aniversário no Parque Trianon. A festa começou com muita música e arte de grafite. A performance do grupo Cuidado Tinta Fresca chamou a atenção dos visitantes do parque, que resolveram se juntar aos alunos e acadêmicos que já compunham a platéia.
Desde novembro de 2006, o trio mistura a grafitagem com um acompanhamento musical de samplers, teclado, guitarra, violão, escaleta e efeitos de percussão feitos com as próprias latas de spray.
Depois da apresentação, a professora de Novas Tecnologias da Comunicação da Faculdade Casper Líbero e doutoranda em Comunicação pela ECA-USP, Daniela Ramos, deu início ao debate do evento: Realidade Virtual e Sociedade.
Ela provocou a platéia com conceitos polêmicos de estudiosos como Pierre Lévy, que não dissocia o virtual da realidade, e Vilém Flusser, que fala da crescente valorização das “não-coisas” na sociedade atual.
Para ilustrar sua afirmação de que “o virtual é o espaço do tempo em que as coisas existem como problemas”, Daniela leu um trecho do livro Água-Viva, de Clarice Lispector.
Seu enfoque principal foi a digitalização da sociedade, promovida pela inserção do virtual no real e pelo que ela chamou de “formatação da sociedade”. Segundo a professora, a ascensão dos números em um mundo que é calculável, mas indescritível em palavras, estaria promovendo a decadência da escrita. E essa forma unidimensional perde importância conforme ascendem os códigos bidimensionais – as imagens.
Também sobre a digitalização, falou o segundo palestrante, Walter Teixeira Lima Junior, pós-doutorando em Tecnologia e Comunicação e professor de Evolução Tecnológica na Comunicação Contemporânea do Mestrado da Casper Líbero: “É uma revolução muito grande e silenciosa o que está acontecendo na parte de digitalização da informação”, disse ele.
Ele explicou que todas as novas tecnologias ligadas à informação ainda são feitas para servir o homem e que, portanto, este não deixou de ser figura central na sociedade. Por outro lado, o homem também perde com essa revolução tecnológica desenfreada. Assim como as fábricas, produtoras de “coisas”, o ser humano aos poucos se desmaterializa em seu mundo de informações.
Ao final do debate, o grupo Cuidado Tinta Fresca voltou aos instrumentos para cantar os parabéns ao Café junto com a platéia e fazer uma última apresentação, que contou com a presença de um rapper. O evento foi encerrado com música, sanduíches e bolos – fornecidos pela Padaria Bella Paulista.
